TJ/BA: Justiça condena maior traficante de aves silvestres do país a 18 anos de prisão
A Justiça da Bahia condenou Weber Sena Oliveira, conhecido como “Paulista”, a 18 anos de prisão por crimes ligados ao tráfico de animais silvestres. Ele é apontado como o maior traficante de aves do país. A sentença é resultado da Operação Fauna Protegida, conduzida pelos Ministérios Públicos de Alagoas (MPAL) e da Bahia (MPBA).
Weber foi condenado pelos crimes de organização criminosa, tráfico de animais silvestres, maus-tratos com resultado morte, lavagem de dinheiro e receptação qualificada. Ele estava preso preventivamente desde setembro de 2025, após investigação conjunta dos órgãos.
Além dele, também foram condenados Ivonice Silva e Silva, companheira de Weber e apontada como operadora financeira do grupo, Uallace Batista Santos, Josevaldo Moreira Almeida, Ademar de Jesus Viana, Messias Bispo dos Santos e Gilmar José dos Santos. Todos foram identificados como integrantes da organização criminosa.
Prisões e investigações
Antes da prisão em setembro de 2025, Weber havia sido detido em janeiro do mesmo ano, durante uma blitz na BR-101, próximo a Itabuna, no sul da Bahia. Na ocasião, ele transportava ilegalmente 135 pássaros silvestres. Após esse flagrante, o investigado passou a ser monitorado pelos Ministérios Públicos. Em setembro, ele e os demais integrantes do grupo foram presos no município de Mascote (BA) durante a Operação Fauna Protegida e denunciados à Justiça.
De acordo com o promotor de Justiça Kleber Valadares, coordenador do Núcleo de Defesa do Meio Ambiente do MPAL, Weber Sena Oliveira era responsável pela captura em larga escala de aves silvestres, manutenção em cativeiro, transporte ilegal dos animais e pela operacionalização da lavagem de dinheiro proveniente do comércio ilícito. “Para além disso, o denunciado e agora condenado ainda fazia o encaminhamento dos espécimes para receptadores com poder financeiro considerável, e por vários locais do Brasil, seja para a região Nordeste, seja para a região Sudeste, arregimentando dezenas de traficantes. Tal prática ilegal foi realizada durante mais de 30 anos, com grande prejuízo ao meio ambiente”, acrescentou o promotor de Justiça.
Movimentação financeira
As apurações indicaram que, entre fevereiro e agosto de 2023, quase R$ 500 mil foram movimentados nas contas de Ivonice Silva e Silva, responsável por receber os valores das vendas e pagar fornecedores.
Segundo os investigadores, as “encomendas” chegavam a reunir mais de mil aves por vez. Parte das transferências bancárias partiu da cidade de Magé, no Rio de Janeiro, onde reside Valter Nélio, conhecido como “Juninho de Magé”, também acusado por lavagem de dinheiro. Há registros de vendas de aves por valores que chegavam a R$ 80 mil.
Atuação da organização
Entre as espécies traficadas estavam canário, trinca-ferro, azulão, papa-capim, chorão, pássaro-preto e estevão. As aves eram capturadas com armadilhas e redes de até 20 metros, capazes de prender até 500 animais em um único dia.
Segundo dados da Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres (Renctas), cerca de 90% dos animais capturados morrem durante o transporte, em razão de maus-tratos, estresse e condições precárias.
As investigações também identificaram uma rota do tráfico que saía do sudeste da Bahia e do nordeste de Minas Gerais em direção ao Rio de Janeiro, apontada em estudo do projeto Libertas, da Associação Brasileira dos Membros do Ministério Público de Meio Ambiente (Abrampa).
Fonte: Jornal Extra; Alagoas 24horas