EUA: Lei de Defesa de 2026 proíbe tiros reais em animais vivos em treinamentos militares
A medida entra na Lei de Autorização de Defesa Nacional de 2026 e encerra o uso de munição real contra animais em exercícios médicos.
A partir de uma lei nacional aprovada em 18 de dezembro, as Forças Armadas dos Estados Unidos ficam impedidas de usar animais vivos em treinamentos de campo voltados ao atendimento de feridos quando houver munição real.
A mudança atinge diretamente a preparação de médicos de combate, encerrando a prática de provocar ferimentos com disparos em animais para simular situações de guerra.
Mesmo com a proibição, ainda existem procedimentos com animais que continuam autorizados, o que mantém o tema no centro do debate sobre ética e eficácia no treinamento militar.
Nova regra foi incluída na Lei de Autorização de Defesa Nacional de 2026
A nova regra foi incluída na Lei de Autorização de Defesa Nacional de 2026, que define diretrizes para a área de defesa no país.
O texto legal veda o uso de munição real em exercícios conduzidos pelo Departamento de Defesa quando o objetivo for treinar profissionais de saúde em ambiente de combate.
A decisão chamou atenção por encerrar um método aplicado há décadas e que vinha sendo criticado por seu impacto sobre o bem estar animal.
O que muda na prática para médicos de combate
A principal mudança é direta: treinamentos médicos em campo deixam de incluir disparos em animais vivos como parte do preparo.
Com isso, perde força um modelo de simulação que buscava reproduzir ferimentos complexos em condições semelhantes às de batalha.
A norma também direciona o uso de alternativas como simuladores avançados, manequins, cadáveres ou atores, ampliando opções de treino sem o mesmo tipo de dano animal.
Por que animais vivos eram usados nesses treinamentos militares dos Estados Unidos
Um dos argumentos usados para defender esse tipo de prática é a semelhança entre órgãos e tecidos de porcos e cabras e os de humanos, com variações biológicas que podem dificultar o tratamento.
Esse ponto foi tratado em um relatório de 2022 do Escritório de Contabilidade do Governo dos EUA, que descreve a lógica do uso em treinamento de trauma.
A prática existe pelo menos desde a Guerra do Vietnã, mantendo presença histórica em programas de preparo para emergências no campo de batalha.
Exceções que continuam permitidas e quais são as condições
Apesar do bloqueio ao uso de armas de fogo nos exercícios médicos, o Departamento de Defesa ainda pode autorizar procedimentos com animais que envolvam esfaqueamento, queimaduras e uso de equipamentos contundentes.
Ferimentos associados a armas só podem ocorrer quando forem classificados como testagem de armas em animais.
Nessas situações, há exigência de que os animais estejam anestesiados, o que muda o cenário, mas não elimina a controvérsia.
O que pode acontecer a partir de agora
A tendência é de ampliação do uso de tecnologia para simular traumas, com maior presença de simuladores, manequins e treinamento com pessoas usando recursos de encenação.
Organizações contrárias ao uso de animais defendem que a simulação evoluiu muito nas últimas décadas e pode substituir práticas antigas.
Também há críticas à utilidade de treinos com porcos e cabras anestesiados, com a defesa de que roupas de simulação em pessoas reproduzem melhor um ser humano ferido.
A proibição cria um novo padrão para treinamentos com munição real, reduzindo a exposição de animais a disparos e pressionando por métodos mais modernos.
Ao mesmo tempo, as exceções mantêm discussões abertas sobre limites, fiscalização e o alcance real da Lei de Autorização de Defesa Nacional de 2026.
Fonte: Revista Sociedade Militar